quinta-feira, 11 de junho de 2015

HAMLET DE SHAKESPEARE E O MUNDO COMO PALCO, COM LEANDRO KARNAL


“Hamlet é o anti-facebook”
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Este é o título da matéria publicada na página do site cpfl cultura, disponível no seguinte endereço: 
http://www.cpflcultura.com.br/wp/2015/04/28/hamlet-de-shakespeare-e-o-mundo-como-palco-com-leandro-karnal/.

Assisti ao vídeo anexo na página, com a fala de Leandro Karnal. De fato, poeta, imperdível: inteligência, muita informação de quem pesquisou a fundo, uma visão crítica em comentários de uma seriedade inconteste, acompanhada de uma ironia fina, por vezes. Vale muito a pena.

A seguir, o texto, na íntegra.

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"o personagem de shakespeare, diz o historiador leandro karnal no café filosófico cpfl, não só não é feliz como não faz questão de parecer feliz. “hamlet é melancólico. tem uma consciência brutal. e quem tem consciência brutal não sorri nem compartilha sua vida medíocre o tempo todo”.

o  personagem fundador da modernidade é o príncipe hamlet. dono de seu destino, ele é o primeiro personagem que vive “o príncipe”, de maquiavel. tem a crença no poder do eu e na glória. é dele, e de mais ninguém, o poder de se proclamar e a decisão de não se matar.
hamlet é, sobretudo, um grande crítico da retórica da etiqueta, dos personagens que interpretam o tempo todo e que sempre dizem apenas o que deve ser dito. para o professor de história da unicamp leandro karnal, o personagem era um grande crítico da sociedade contemporânea.
“hamlet é o anti-facebook. ele não só não é feliz como não faz questão de parecer feliz. hamlet é melancólico. tem uma consciência brutal. e quem tem consciência brutal não sorri nem compartilha sua vida medíocre o tempo todo”, disse o historiador durante o café filosófico cpfl “hamlet de shakespeare e o mundo como palco” (confira o vídeo abaixo).
para o palestrante, o mundo de artificialidades postado diariamente no facebook é um mundo destituído de consciência. um mundo que não se conhece e se nega a envelhecer. “as dores que nós inventamos – familiares, financeiras – é o disfarce de uma dor maior. uma dor não falada. quando as pessoas começarão a ser e deixarão de não ser?”, questiona.
o estoicismo de hamlet, disse karnal, é o estoicismo de quem se conhece e não se ofende. “a consciência moderna nos leva ao grande mal da humanidade: a solidão estrutural. a modernidade nos trouxe a diversidade política e religiosa. como não tenho amigos, tenho 3.000 no ‘face’. como não tenho nada interessante para mostrar, eu fotografo tudo. isso é sinal não de um narciso fraco, mas um narciso que não ouve ninguém. a solidão individual a dois ou a três é a norma de todas as pessoas.”
segundo o historiador, somos cada vez mais solitários porque temos cada vez mais dificuldade em estabelecer algo orgânico e significativo com o mundo. na peça de shakespeare, o príncipe se questiona o tempo todo. hamlet pergunta à caveira diante da morte inevitável: “quem eu sou de verdade? quem sou eu que preciso estar presente em tantos personagens? por que preciso que tanta gente me veja?”. a pergunta se estende à plateia: o que somos de verdade com ou sem o apoio da igreja, da família e de outras instituições para as quais estamos sempre cumprindo papéis? “se a família te apoiar ou te criticar, você continuará sozinho”, diz karnal.
para o historiador, a fala reflexiva de hamlet desapareceu no mundo contemporâneo. “quando penso no que estou dizendo, digo menos, porque é mais significativo. o restaurante por quilo é uma maravilha. mas restringiu todos os alimentos ao mesmo sabor. quando não tenho sabor nas coisas que eu vivo e faço, eu multiplico as coisas que vivo e faço. eu não suporto ficar em casa comigo mesmo. por isso preciso viajar o tempo todo. prefiro o caos do aeroporto ao silêncio de casa.”
essa ausência de consciência, segundo ele, é observada diante do medo de encarar a morte como um caminho inevitável. “a sabedoria é a preparação para dar sentido à vida de quem morre. a vida, sem a morte, seria insuportável. como não aceitamos o envelhecimento, criamos crianças que devem viver uma infância cada vez mais longa e protegida. mas é bom dizer às crianças que elas precisam deixar de ser crianças.”
para fugir deste encontro, no entanto, as pessoas seguem encenando. preferem se sentir vigiadas a se sentirem sozinhas. preferem a crítica ao abandono. “quem eu seria se eu estivesse absolutamente só no mundo? resposta: seremos solitários com outros solitários.”
para atingir a consciência, diz karnal, é preciso apenas dizer o que as coisas são. por isso hamlet se finge de louco. no mundo como palco, a consciência é enganada. as fotos de revistas ou o botox em rostos que não querem envelhecer, por exemplo, são enganos da consciência. “não queremos ver o rosto da medusa.”
“quanto mais escrevo ‘kkk’ no facebook, mais estou triste. preciso que o mundo ‘curta’ a vida que acho insuportável. da mesma forma, precisamos de hospício para imaginar que, estando fora, não somos loucos.”
para karnal, o que hamlet nos diz é: só interpretamos cenas, etiquetas e formalidades porque não aguentamos saber que todos fazem parte de um teatro. hamlet, lembrou o palestrante, não governou seu reino. ele foi o primeiro homem livre. o primeiro homem moderno. e pagou um preço altíssimo por isso.
“tente descobrir vagamente quem você é. você não será feliz. mas sua consciência o impedirá a ser vazio. e você não precisará postar o tempo todo na internet.”
segundo karnal, hamlet é uma peça sobretudo política. o príncipe anuncia haver algo de podre no reino da dinamarca. para isso, investiga as mazelas no seio da própria família. essa consciência hoje tem um paralelo com a democracia, afirmou. ela traz a consciência do que somos. o problema, disse, é que esse espelho é desagradável.
“muitas pessoas acreditam que a corrupção está a cargo de um partido. essas pessoas são muito felizes. a corrupção que hamlet nota começa no leito da mãe na dinamarca. aqui, começa no acostamento e no atestado médico falso. se a corrupção fosse só de um partido, eu seria feliz. eu eliminaria hamlet e o mal e adotaria paulo coelho.”
segundo o palestrante, vivemos hoje um momento de pura burrice argumentativa. “a nossa capacidade de ouvir está muito baixa. quando não quero ouvir, a solução é a guerra civil. há quem defenda: ‘vamos dividir o país’. a primeira condição da política é o diálogo. o seu ódio do outro é o seu medo de si. o diálogo nos humaniza.”"
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1o SEMINÁRIO PEC - UNICAMP

Notícia de mais um Seminário. Dessa vez, na UNICAMP.

1º SEMINÁRIO PEC – Projetos de Extensão Comunitária
A Coordenadoria de Assuntos Comunitários realiza, no dia 17 de junho de 2015, o 1º Seminário de Projetos de Extensão Comunitária – PEC no auditório da Biblioteca Central.
O Seminário divulgará as ações de extensão realizadas pela Unicamp com o apoio prestado pela PREAC por intermédio do Edital PEC realizado anualmente.
Esses projetos promovem para vários alunos a oportunidade de completar sua formação profissional e vivenciar situações reais, aplicando os conhecimentos adquiridos em seus cursos, muitos dos quais dedicados à população com maiores dificuldades de acesso à informação, à cultura e à saúde, assim, contribuindo para incentivar a prática acadêmica, desenvolver a consciência social e política, formar profissionais cidadãos, além de assegurar, pela práxis, a competência técnico-científica.
As ações de extensão, além de promover a solução de problemas específicos de diversos setores sociais, utilizando os conhecimentos técnico-científicos adquiridos na academia e desenvolvidos durante a sua execução, fazem retornar à Universidade novos conhecimentos e informações obtidos da interação com a sociedade. Isso propicia revisões e atualizações em seus cursos regulares de graduação ou de pós-graduação, assim como nas atividades de pesquisa, contribuindo para uma melhor formação cidadã dos estudantes.
Objetivos
O evento tem a finalidade de aglutinar e divulgar as atividades de extensão realizadas em interfaces com o ensino e a pesquisa, desenvolvidas pelos docentes, alunos e funcionários da Unicamp.
1º Seminário PEC – Projetos de Extensão Comunitária
Data e horário: 17 de junho de 2015, das 8h30 às 17h
Local: auditório da Biblioteca Central
Inscrições:  http://www.preac.unicamp.br/cac/?page_id=1696

XXI SEMINÁRIO PEDAGÓGICO RUMOS ABERTOS, REALIZADO PELO INSTITUTO PANDAVAS


Este seminário será realizado nos dias 18 e 19 de julho. Estarei lá.
Vale a pena ler o folder e conhecer o Instituto e a sua proposta de ação e educação. 
Fica em Monteiro Lobato. 
Gaste 2 minutos e acesse o site. Vai valer a pena.O endereço é o seguinte: http://www.institutopandavas.org.br/.




terça-feira, 9 de junho de 2015

GRUPOS DE ESTUDO SOBRE ENSINO DE PRODUÇÃO DE TEXTOS E DE LEITURA

Caros Colegas,

Estou organizando grupos de estudos sobre ensino de Produção de Textos e Leitura.
A ideia partiu dos profissionais da educação com os quais tenho tido contato nas assessorias, videoconferências, aulas, com o que me encantei.
Entre as demandas que se destacaram nas nossas conversas, estão as relativos ao ensino da produção de textos – em especial os de autoria; às diversas modalidades didáticas de leitura – conteúdos que focam e finalidades; à revisão de textos; e ao tratamento de aspectos discursivos, textuais e gramaticais. Por isso, esses foram os temas eleitos para serem foco do trabalho que será desenvolvido.  

Convido a todos que se interessarem a inscreverem-se.  


Carga Horária
Sete encontros mensais de 4 horas (ou 8h, se o grupo assim preferir), a começar nas últimas semanas de junho.

Horário
Sábados, em especial se durar 8h. Quartas e sextas-feiras à tarde ou à noite, a se definir de acordo com a agenda dos participantes.

Local
Em princípio, em local próximo à Estação Vila Madalena do metrô, em São Paulo, a ser confirmado a partir do cronograma.
Estamos abertos também a grupos que queiram organizar-se em locais de sua escolha.

Contato
Por e-mail: kbrak2006@gmail.com
Ao escrever, informe sobre a sua disponibilidade de horário, considerando as informações acima.

Os Do
Os Dois

Eu sou dois seres.
O primeiro fruto do amor de João e Alice.
O segundo é letral:
É fruto de uma natureza que pensa por imagens,
Como diria Paul Valèry.

O primeiro está aqui de unha, roupa, chapéu e vaidade.
O segundo está aqui em letras, sílabas, vaidades e frases.
E aceitamos que você empregue o seu amor em nós.

(Manoel de Barros)

  


"Se a história é sedimento, o aprendizado é pela pedra." (*)



Há um tempo este espaço anda meio-assim-adormecido, perdido num intervalo cuja existência remete a razões simples, como as guinadas que a vida dá de tempos em tempos.

Mudança de rumo: é este o agora.

Na verdade, acho que esse agora foi gestado nos dois últimos anos, talvez. Os seus primeiros sinais remetem a meados de 2013. Foram ficando mais fortes em 2014 - que foi um ano-pedra inteiro. Mas, como a vida teima em ser contraditória, junto com as pedras estavam os galhos que se vergaram ao vento, incólumes. E com o vento, algumas - não tão poucas - alegrias desatentas dos caminhos.

Tempo de dobrar a esquina: é mesmo este o agora.

Busca de rumos cujo destino leve a novas janelas. Ou a novos modos de ver  janelas antigas, que, vistas com outros olhos, já não serão as mesmas...

Buscar: agora é essa a hora.

Porque aprender é pela pedra.
Porque a integridade é da pedra.
Assim como a força é dos galhos que se curvam ao vento.


(*) Referência a trecho de texto de um documentário (apresentado pela Fox, se não me engano).