sexta-feira, 4 de abril de 2008

GRUPO DE ESTUDOS EM DIDÁTICA DO ENSINO DE LINGUAGEM


Caríssimos — e caríssimas — colegas

Estamos organizando para este ano um grupo de estudos sobre Didática de Ensino de Língua Portuguesa.
A idéia partiu da sugestão de algumas colegas com quem temos realizado trabalhos vários de assessoria a escolas, cursos, acompanhamento do trabalho de ensino, organização curricular.
Muitos temas nos têm preocupado, nos têm ocupado o tempo e, até mesmo, nos tirado o sono.... E, como sabemos que estudos solitários são sempre mais difíceis, resolvemos nos organizar para estudar junto. Afinal, estudar em parceria é sempre muito mais produtivo, não é mesmo?
Por isso, convidamos a todos a participarem desse Grupo e, também, a convidarem outros colegas que desejem compor conosco essa troupe aberta de educadores.
Que tal?

A seguir, apresentamos algumas sugestões de pauta, vindas das nossas – já – intermináveis necessidades de discussão...
Sintam-se à vontade para proporem outras.

Contamos com todos aqueles que ainda tiverem um tempinho na agenda...
Desde já, sejam todos muito bem-vindos!


Propostas de Pauta:


  • O que considerar ao organizar atividades de produção de textos orais e escritos?

  • O que considerar ao organizar atividades de leitura e escuta de textos?

  • O que considerar ao organizar atividades de revisão de textos?

  • Aspectos fundamentais de organização de atividades de análise lingüística (aspectos discursivos, textuais, gramaticais e notacionais).

  • Princípios orientadores da prática de ensino de linguagem – de aprendizagem e de linguagem – e suas decorrências para o trabalho pedagógico.

  • Como organizar o currículo escolar.

  • Que diferença há em se organizar o trabalho a partir da perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem?

  • Quais as implicações de se adotar o conceito de gênero – em uma perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem – para o trabalho com língua portuguesa?

  • Modalidades didáticas de trabalho com leitura, escuta, produção de textos e análise lingüística.

  • Procedimentos de acompanhamento do trabalho docente de ensino de linguagem.

  • A gestão do espaço escolar no que se refere ao trabalho com linguagem verbal.

  • Elaboração de material didático: as seqüências didáticas (no trabalho com produção de textos, orais e escritos; leitura; escuta e análise lingüística), os projetos de trabalho (em leitura, escuta e produção), as atividades pontuais.

  • O livro didático e suas características: de que perspectiva compreender esse material didático?

  • Análise de material didático existente, do LD a materiais diversos: princípios e critérios fundamentais.

  • Como orientar a escolha do Livro Didático (ou outro material dessa natureza)?

  • Como orientar o Uso do Livro Didático (ou outro material dessa natureza)?

(Para informações mais detalhadas, entre em contato no endereço: kbrak2006@gmail.com.)


sábado, 8 de março de 2008

POR UM JUSTO ENSINO DE LINGUAGEM



DEZ CISÕES
para um ensino de língua não (ou menos) preconceituoso

MARCOS BAGNO


  1. Conscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele SABE essa língua. Entre os 3 e 4 anos de idade, uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Sendo assim,

  2. aceitar a idéia de que não existe erro de português. Existem diferenças de uso ou alternativas de uso em relação à regra única proposta pela gramática normativa.

  3. Não confundir erro de português (que, afinal, não existe) com simples erro de ortografia. A ortografia é artificial, ao contrário da língua, que é natural. A ortografia é uma decisão política, é imposta por decreto, por isso ela pode mudar, e muda, de uma época para outra. Em 1899 as pessoas estudavam psychologia e história do Egypto; em 1999 elas estudam psicologia e história do Egito. Línguas que não têm escrita nem por isso deixam de ter sua gramática.

  4. Reconhecer que tudo o que a Gramática Tradicional chama de erro é na verdade um fenômeno que tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável. Se milhões de pessoas (cultas inclusive) estão optando por um uso que difere da regra prescrita nas gramáticas normativas é porque há alguma regra nova sobrepondo-se à antiga. Assim, o problema está com a regra tradicional, e não com as pessoas, que são falantes nativos e perfeitamente competentes de sua língua. Nada é por acaso.

  5. Conscientizar-se de que toda língua muda e varia. O que hoje é visto como "certo" já foi "erro" no passado. O que hoje é considerado "erro" pode vir a ser perfeitamente aceito como "certo" no futuro da língua. Um exemplo: no português medieval existia um verbo leixar (que aparece até na Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel I). Com o tempo, esse verbo foi sendo pronunciado deixar, porque [d] e [l] são consoantes aparentadas, o que permitiu a troca de uma pela outra. Hoje quem pronunciar leixar vai estar cometendo um "erro" (vai ser acusado de desleixo), muito embora essa forma seja mais próxima da origem latina, laxare (compare-se, por exemplo, o francês laisser e o italiano lasciare). Por isso é bom evitar classificar algum fenômeno gramatical de "erro": ele pode ser, na verdade, um indício do que será a língua no futuro.

  6. Dar-se conta de que a língua portuguesa não vai nem bem, nem mal. Ela simplesmente VAI, isto é, segue seu rumo, prossegue em sua evolução, em sua transformação, que não pode ser detida (a não ser com a eliminação física de todos os seus falantes).

  7. Respeitar a variedade lingüística de toda e qualquer pessoa, pois isso equivale a respeitar a integridade física e espiritual dessa pessoa como ser humano, porque

  8. a língua permeia tudo, ela nos constitui enquanto seres humanos Nós somos a língua que falamos. A língua que falamos molda nosso modo de ver o mundo e nosso modo de ver o mundo molda a língua que falamos. Para os falantes de português, por exemplo, a diferença entre ser e estar é fundamental: eu estou infeliz é radicalmente diferente, para nós, de eu sou infeliz. Ora, línguas como o inglês, o francês e o alemão têm um único verbo para exprimir as duas coisas. Outras, como o russo, não têm verbo nenhum, dizendo algo assim como: Eu – infeliz (o russo, na escrita, usa mesmo um travessão onde nós inserimos um verbo de ligação). Assim,

  9. uma vez que a língua está em tudo e tudo está na língua, o professor de português é professor de TUDO. (Alguém já me disse que talvez por isso o professor de português devesse receber um salário igual à soma dos salários de todos os outros professores!)

  10. Ensinar bem é ensinar para o bem. Ensinar para o bem significa respeitar o conhecimento intuitivo do aluno, valorizar o que ele já sabe do mundo, da vida, reconhecer na língua que ele fala a sua própria identidade como ser humano. Ensinar para o bem é acrescentar e não suprimir, é elevar e não rebaixar a auto-estima do indivíduo. Somente assim, no início de cada ano letivo este indivíduo poderá comemorar a volta às aulas, ao invés de lamentar a volta às jaulas!


(Coletado em 10mar2003, no seguinte endereço: http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/producao_do_autor/artigos_conferencias/manifesto.htm)

domingo, 2 de março de 2008

SOBRE PRECONCEITO LINGÜÍSTICO


"há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar: é muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado, na escola, como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. Para isso, e também para poder ensinar Língua Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ‘certa’ de falar — a que se parece com a escrita — e o de que a escrita é o espelho da fala — e, sendo assim, seria preciso ‘consertar’ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos, por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico."


(Parâmetros Curriculares NAcionais; 1998)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

JANELA SOBRE O APRENDER


Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca.

b) 0 modo como as violetas preparam o dia para morrer.

c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos.

d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação.

e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos.

f) Como pegar na voz de um peixe.

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.

Etc.

etc.

etc.

Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

(Manoel de Barros)