segunda-feira, 11 de julho de 2011

IDADE MÉDIA?

Ontem, em uma "sessão de cinema" in door, uma amiga me disse que algum tempo atrás recebeu por e-mail uma mensagem que dizia o seguinte: "Nos últimos tempos, beatificamos um papa, casamos um príncipe, fizemos uma cruzada e matamos um mouro. Recentemente, quase queimamos um livro... Bem-vindos à Idade Média!".


Fiquei, com essa ideia pulsando, entre vinho e fondue e, mesmo depois de uma sessão de "Milk" (que atuação mais-que-perfeita do Sean Penn...!), que eu ainda não havia assistido... não pude tirá-la da cabeça. Hoje, depois da faxina rotineira - em casa, nas contas, e na vida - fui investigar na net - esse enorme canteiro de arqueólogo... - para saber de onde vinha.
Encontrei o texto abaixo, que compartilho com vocês.



Opinião: De volta à Idade Média

30 de maio de 2011, 11h09 
Tela de Bessonov Nicolay
Tela de Bessonov Nicolay

BEM VINDOS(AS) À IDADE MÉDIA
Não tem graça nenhuma. Estamos diante do que deno­mino de “Barbárie em Série”
Especial para a Revista O Grito!
A pro­fes­sora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Paula Reis, lem­bra, por e-mail, que esta­mos rees­cre­vendo a his­tó­ria: “Nas últi­mas sema­nas bea­ti­fi­ca­mos um papa, casa­mos um prín­cipe, fize­mos uma cru­zada e mata­mos um mouro. Bem-vindos/as à Idade Média”! Como jor­na­lista pre­cisa de fatos para com­pro­var as decla­ra­ções, enu­me­rei alguns deles, que rati­fi­cam o que pes­qui­sa­dora sentencia.
Não tem graça nenhuma. Estamos diante do que deno­mino de “Barbárie em Série”. No Brasil, par­la­men­tar imprime e dis­tri­bui pan­fleto ‘anti-gay’, uma emis­sora de tele­vi­são pensa que pode fazer humor com pes­soas autis­tas impu­ne­mente e um cida­dão ganha publi­ci­dade por fazer piada com estu­pro. Fico pen­sando: até quando a soci­e­dade e o Estado bra­si­leiro irão admi­tir que, sob o argu­mento de exer­cí­cio da liber­dade de expres­são, cer­tos “polí­ti­cos”, “pro­gra­mas” e “apre­sen­ta­do­res” divul­guem atro­ci­da­des e vio­lem os direi­tos huma­nos? Não pode­mos per­mi­tir que o mer­cado da mídia con­ti­nue usando arti­fí­cios como a expo­si­ção de víti­mas de vio­lên­cia e pro­mo­vendo aten­ta­dos à dig­ni­dade das pessoas.
Enquanto um bra­si­leiro ridi­cu­la­riza a situ­a­ção das pes­soas que têm sua vida devas­tada pela vio­lên­cia sexual, cen­te­nas de mulhe­res estão ten­tando cri­mi­na­li­zar, na África do Sul, o “estu­pro cor­re­tivo”. A prá­tica é usada como arma pelos sexis­tas e homo­fó­bi­cos que se jul­gam no direito de come­ter cri­mes con­tra a huma­ni­dade para “cor­ri­gir” mulhe­res que amam mulhe­res. As mili­tan­tes que lutam para a legis­la­ção punir os cri­mi­no­sos que usam de tal expe­di­ente já con­se­gui­ram 140 mil assi­na­tu­ras para sen­si­bi­li­zar as auto­ri­da­des diante da gro­tesca situação.
Já fala­mos da caça às bru­xas. Agora, vamos à eli­mi­na­ção dos negros. Na França, um grupo de diri­gen­tes e trei­na­do­res de fute­bol estão sendo inves­ti­ga­dos por supos­ta­mente agir com racismo. De acordo com o site Mediapart, está ocor­rendo, naquele país, a ado­ção de um sis­tema de cotas para negros e árabes para limi­tar o acesso deles aos cam­pos de trei­na­men­tos cons­truí­dos para os jovens. Como se só quem tivesse o san­gue azul pudesse ves­tir a camisa da esqua­dra fran­cesa. Alguma seme­lhança com o nazismo?
Do fute­bol euro­peu para o Brasileiro. Ou seria melhor, da xeno­fo­bia fran­cesa para a bra­si­leira? Após a clas­si­fi­ca­ção do time do Ceará para as finais da Copa do Brasil, cho­ve­ram, nas redes soci­ais, nova­mente, ata­ques con­tra os nor­des­ti­nos. O time do Ceará, popu­lar­mente conhe­cido como “vozão”, eli­mi­nou o fla­mengo do RJ do cer­tame. E mui­tas pes­soas, resi­den­tes no Sudeste, expres­sa­ram sua indig­na­ção com o resul­tado da par­tida por meio de xin­ga­men­tos con­tra os habi­tan­tes do Nordeste do país.
Para ter­mi­nar… Ou melhor, come­çar nossa volta ao pas­sado, nada mais apro­pri­ado do que repro­du­zir uma parte de uma maté­ria vei­cu­lada pelo por­tal do jor­nal O Estado de São Paulo do dia 12/05: “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divul­gou nesta quarta-feira (11/05) uma nota ofi­cial sobre a deci­são do Supremo Tribunal Federal (STF) que reco­nhe­ceu, por una­ni­mi­dade, na última quinta-feira (05/05), a união está­vel entre casais do mesmo sexo como enti­dade fami­liar. A CNBB afirma não con­cor­dar que essas uniões está­veis sejam ‘equi­pa­ra­das à família’”.
E agora? Quem duvida de que esta­mos vivendo na Idade Média?
* Ana Veloso é pro­fes­sora da Universidade Católica de Pernambuco, dou­to­randa em Comunicação pela UFPE e inte­grante do Intervozes. Assina o blog Eu Decido, onde esse texto foi tam­bém publicad

Fonte: http://www.revistaogrito.com/page/blog/2011/05/30/opiniao-de-volta-a-idade-media/

Nenhum comentário: